sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Generation Doof

Ontem li trechos de um livro bem interessante: Generation Doof: Wie blöd sind wir eigentlich? (Geração Pateta: o quão idiota nós somos na verdade? em tradução livre). Nele os autores analisam a geração jovem alemã e apresentam alguns relatos bastante surpreendentes.

Uma jovem, tida como o “futuro da Alemanha” pela sua pequena cidade natal, foi uma das entrevistadas – perfeita para o livro, não? Ao longo da entrevista, ela realmente surpreendeu. Foi lhe mostrado um mapa da Alemanha, e perguntaram-lhe onde ficava Berlin. Ela apontou para Bonn, "com certeza!".

Ah, é? Então se Berlin fica aí, onde fica a Polônia? "A Polônia fica no leste, então fica aqui (aponta para o meio da Alemanha)". Você tem certeza de que a Polônia fica no meio da Alemanha? "Ah, acho que não, deve ser aqui (e aponta para a Holanda)".

Resolveram então entrevistar uma universitária, e lhe perguntaram qual a visão dela da sociedade. Basicamente, ela respondeu que os calouros eram muito chatos, mas os veteranos sim eram legais (vejam bem, a visão dela da sociedade se limita à universidade).

E qual a matéria de que você mais gosta e a de que menos gosta?
"Ah, eu não gosto de História, porque eu não quero saber de quem já morreu, o importante é o meu futuro".

E qual profissão você quer seguir?
Sem pestanejar, ela reponde: "Desempregada!"
Como assim, desempregada?
"É, porque é o máximo ficar sem fazer nada o dia inteiro e receber o seguro-desemprego do governo!"

Mas a jovem pensou um pouco e mudou de idéia: “Não! Já sei o que eu quero ser: mega star!!! Já imaginou que legal? Um monte de gente atrás de mim?".

Quase inacreditável. E, cerca duas horas depois, no metrô, um rapaz tendo escutado eu e o Vinny falando em português (e falávamos baixo, porque eu tenho pavor de quem fica falando alto, especialmente em outro idioma), sorridente, perguntou:

“Que  língua vocês estão falando, é bonita, o que é? Russo?”
Não.
“Polonês?”
Não.
“Francês?” Não.
“Espanhol???”.
Golpe de misericórdia, o Vinny fala: Português.
“Ah, português, que legal! Vocês vêm de Portugal então, de que cidade, Bucareste?"
Não, Bucareste fica na Romênia.
"É mesmo? E qual a capital de Portugal?"
Lisboa.
"Unh… tem bastante mar por lá, né?".
É, tem sim.

Então, enquanto no Brasil tantos jovens acham bonito ser marginal, na Alemanha muitos fazem uma apologia da mediocridade e acham bonito ser inculto, orgulhando-se de não conhecerem Goethe ou Shakespeare.

Manter as expectativas baixas a respeito dos outros é uma coisa. Já ter de encarar isso… é lamentável. E é essa geração que será "responsável" em poucos anos. Medo, medo…


segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Um a mais

Eu realmente curto aniversários (menos a parte de ficar mais velha, claro). Não comemoro natal, hanukkah ou kuanza, e também não dou muita importância a datas artificialmente criadas para aumentar o número de vendas dos cartões da Hallmark. Mas aniversários… gosto de felicitar as pessoas e presentear, acho importante ter um dia « só seu ». São momentos especiais e que merecem ser comemorados, afinal, a vida é finita e eu quero aproveitar cada ano dela que me resta.

Acontece que esse ano para mim assinala o último na casa dos 20. Yep.

Eu sei que fiz muita coisa até agora. Tenho um marido maravilhoso que é tudo para mim, um purple baby elephant que é a alegria do mundo, amigas especiais cuja convivência me faz um bem enorme, pessoas que eu adoro e com quem posso contar (mesmo com um oceano entre nós). Estou na reta final do meu doutorado, viajei muito, li mais ainda. Tenho planos, muitos.

Sei também que estou melhor a cada ano, física e emocionalmente (eu não acreditava, mas realmente aquele vulcão está cada vez menos ativo).  Mas… falta apenas um ano para o big 3-0. E eu me deparo no espelho à procura de rugas que não existiam antes (qualquer semelhança com Ally McBeal é mera coincidência, para o alívio de todos os envolvidos eu sou um pouquinho menos neurótica. Um pouquinho). 

Obrigada a todos que telefonaram, enviaram cartinhas, e-mails, declarações no MSN e presentinhos fofos. I ♥ you all.




Até a ressaca de ficar mais velha passar, people (e por favor, tenham a gentileza de evitar o termo balzaquiana perto de mim, sim? Estou sen-sí-vel).


sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Choose to be kind

Vi este este vídeo tão meigo e fiquei pensando no quanto todos poderíamos ser melhores (sem contar o mundo) se seguíssemos a sugestão dessa garotinha. Irritação, frustração, encheção de saco fazem parte da vida, mas se pudermos escolher, por que não ser gentis?




Se não der, ainda tem a "terapia do sorriso". Quando alguém te falar uma bobagem monumental ou for grosseiro, não fale nada, simplesmente sorria, sorria um sorriso forçado. Requer treino, mas a cara de quem recebe isso é impagável.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Verão

Acho que eu já mencionei de passagem que o povo daqui mal pode ver um solzinho e já se joga na grama para fazer a fotossíntese. Então vocês podem imaginar como é no auge do verão: os parques e as bordas do rio ficam cheios de pessoas para tomar sol, cerveja (claro), ler e dormir. 

Uma amiga, certa vez, estranhou as pessoas deitadas em cadeiras "de praia" na borda do Spree. Er… no Brasil as pessoas fazem isso na frente do mar, a diferença não é grande. Aqui não se nada, mas ao menos não há areia. Acho a troca bastante justa :D







E eu, já clamando pelo inverno neste calor pavoroso, fujo do sol, acabo com o estoque de protetor solar e água termal, aproveito para visitar os museus, menos cheios (e sem sol, claro), e tomo sorvete até enjoar. 


Decididamente eu não sirvo para viver nos trópicos. Até esse "calorzinho" acaba comigo. So-cor-ro! 

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Bode Museum

O Bode Museum (pronuncia-se bôde museum, sem nenhuma relação com o animal :D) fica no Museuminsel, a ilha dos museus, uma das regiões mais turísticas da cidade, mas que ainda conserva seu charme. A mistura de prédios antigos, alguns destruídos para nunca mais (como o Stadtschloss, do outro lado da ilha), outros reconstruídos após os bombardeios da II Guerra, em meio aos guindastes que se proliferam numa cidade que se reinventa, tornam esta região particularmente nostálgica.


Imaginem uma ilha formada no centro da cidade, na qual as principais atrações são museus, ao longo do rio. Eu poderia passear por ali todas as semanas. Ok, ok, eu sei que museu não é o programa favorito da maioria, então este post é para os apreciadores.


Plano do Museuminsel para 2015, com as reconstruções (tirado daqui)



O Bode não é um museu particularmente reputado por alguma obra em especial. Sua coleção é de esculturas (medievais, góticas, do começo da Renascença, barrocas) e arte bizantina, possuindo ainda um gabinete de medalhas.

Reaberto em 2006, depois de 6 anos de reforma, conta com belíssimas peças, mas para mim o que o torna tão especial é a sua luminosidade. Seu interior é abolutamente lindo, sem ser afetado, porque um museu não precisa ostentar lustre pesados para ser reverenciado. É um passeio calmo, agradável, alheio à lotação de alguns museus vizinhos.


Estátua do Kaiser Friedrich Wilhelm



Dançarina, por Antonio Canova (Roma, 1809-12)


O Rapto da Sabina, por Adrien de Fries (Praga, começo do séc. XVII)


Cadê? Achou!

Garoto como Figura de Fonte, por Girollamo della Robbia (Florença ou Paris, 1515/20)


Busto do marquês Fabio Feroni, por Giovacchino Fortini (Florença, 1701)

(ou, como eu gosto de lembrar, inspiração para o Leão Covarde de O Mágico de Oz) 


Café do museu.



Onde: Monbijoubrücke (U e S-Bhf. Friedrichstraße, Tram M1 e 12 Am Kupfergraben, Bus TXL Staatsoper, Bus 100 e 200 Lustgarten, Bus 147 Friedrichstraße.

Horários de abertura: de segunda a domingo das 10:00 às 18 h; quinta-feira das 10 às 22h. 

Quanto: €8, €4,00 tarifa reduzida (mais informações aqui). Existe um ticket especial para visitar 4 museus do Museuminsel por €12.