Ontem li trechos de um livro bem interessante: Generation Doof: Wie blöd sind wir eigentlich? (Geração Pateta: o quão idiota nós somos na verdade? em tradução livre). Nele os autores analisam a geração jovem alemã e apresentam alguns relatos bastante surpreendentes.
Uma jovem, tida como o “futuro da Alemanha” pela sua pequena cidade natal, foi uma das entrevistadas – perfeita para o livro, não? Ao longo da entrevista, ela realmente surpreendeu. Foi lhe mostrado um mapa da Alemanha, e perguntaram-lhe onde ficava Berlin. Ela apontou para Bonn, "com certeza!".
Ah, é? Então se Berlin fica aí, onde fica a Polônia? "A Polônia fica no leste, então fica aqui (aponta para o meio da Alemanha)". Você tem certeza de que a Polônia fica no meio da Alemanha? "Ah, acho que não, deve ser aqui (e aponta para a Holanda)".
Resolveram então entrevistar uma universitária, e lhe perguntaram qual a visão dela da sociedade. Basicamente, ela respondeu que os calouros eram muito chatos, mas os veteranos sim eram legais (vejam bem, a visão dela da sociedade se limita à universidade).
E qual a matéria de que você mais gosta e a de que menos gosta?
"Ah, eu não gosto de História, porque eu não quero saber de quem já morreu, o importante é o meu futuro".
E qual profissão você quer seguir?
Sem pestanejar, ela reponde: "Desempregada!"
Como assim, desempregada?
"É, porque é o máximo ficar sem fazer nada o dia inteiro e receber o seguro-desemprego do governo!"
Mas a jovem pensou um pouco e mudou de idéia: “Não! Já sei o que eu quero ser: mega star!!! Já imaginou que legal? Um monte de gente atrás de mim?".
Quase inacreditável. E, cerca duas horas depois, no metrô, um rapaz tendo escutado eu e o Vinny falando em português (e falávamos baixo, porque eu tenho pavor de quem fica falando alto, especialmente em outro idioma), sorridente, perguntou:
“Que língua vocês estão falando, é bonita, o que é? Russo?”
Não.
“Polonês?”
Não.
“Francês?” Não.
“Espanhol???”.
Golpe de misericórdia, o Vinny fala: Português.
“Ah, português, que legal! Vocês vêm de Portugal então, de que cidade, Bucareste?"
Não, Bucareste fica na Romênia.
"É mesmo? E qual a capital de Portugal?"
Lisboa.
"Unh… tem bastante mar por lá, né?".
É, tem sim.
Então, enquanto no Brasil tantos jovens acham bonito ser marginal, na Alemanha muitos fazem uma apologia da mediocridade e acham bonito ser inculto, orgulhando-se de não conhecerem Goethe ou Shakespeare.
Manter as expectativas baixas a respeito dos outros é uma coisa. Já ter de encarar isso… é lamentável. E é essa geração que será "responsável" em poucos anos. Medo, medo…