domingo, 28 de junho de 2009

Berlin e seus ursos

Escolher como souvenir de viagem um ursinho com a bandeira da cidade visitada faz mais sentido em Berlin. O próprio nome da cidade carrega urso (bär) em suas origens, e sua bandeira ostenta o urso marrom (que teve seu lugar ameaçado pelo polar Knut):




Não é à toa que Knut, o ursinho abandonado pela mãe e criado pelo tratador, tocou o coração dos berlinenses. Não há quem não o ame, e mesmo os ursos representantes da cidade ficaram meio esquecidos.





O mascote do Hertha BSC é um urso e, com o time de hockey local, não poderia ser diferente. Os Berliner Eisbären (ursos polares de Berlin) foram mais uma vez campeões nacionais pela na temporada 2008-2009.





E a relação da cidade com o urso resultou no projeto United Buddy Bears, que desde 2001 cria ursos em tamanho natural representando cada país reconhecido pela ONU. Artistas plásticos locais foram convidados para traduzir na pintura dos ursos seu sentimento nacional, criando obras com significados interessantes.

Os Buddy Bears têm como mote a promoção da paz e da harmonia mundial. Com as patas para cima, eles formariam um círculo, “mão com mão”, no qual um tocaria o outro, simbolizando tolerância. E os ursos ficaram viajados: a coleção completa circulou pelos cinco continentes; esteve recentemente em Montevidéu e já passou por Hong Kong, Istanbul, Tokio, Sydney, Viena e Jerusalém, entre outras metrópoles.



Buddy Bears no Cairo em 2007 (fonte)


Buddy Bears em Viena, em 2006 (fonte)

Buddy Bears em Berlin, em 2006 (fonte)



Uma exposição com Buddy Bears em sua versão mini ocorre atualmente no Europa Center:




Mini Buddy Bear do Brasil

Mini Buddy Bear da Alemanha

Mini Buddy Bear da Irlanda

Mini Buddy Bear dos EUA

O projeto foi um sucesso tão grande, que hoje os temas das pinturas vão além dos retratos nacionais. Os ursos podem ser encontrados mesmo em lojas e hotéis, além de em pontos turísticos. Suportam causas como o combate à crueldade contra os animais e suas vendas já destinaram mais de €1.500.000 a instituições que ajudam crianças.

Podem não ser selvagens que rodeiam a cidade, de onde surgiu o nome, mas os ursos estão aqui por todos os lados.


sexta-feira, 19 de junho de 2009

Genève, Genf, Geneva, Genebra

Os crêpes em Genebra são maravilhosos, especialmente os da Muller’s Factory. Almocei-os em todos os dias e são os mais gostosos que eu já comi, com uma massa que desmancha na boca. Tirando os crêpes e meu congresso, que foi a razão de viajarmos até a cidade, talvez Genebra seja a cidade européia que mais nos decepcionou.


Mesmo não indo até lá para fazer turismo, no pouco tempo livre pudemos conhecer a cidade. Umas três vezes. Sério, há tão pouco a se ver e fazer que, a não ser que você seja protestante e queira seguir os passos de Calvino na cidade, o que não era nosso caso, esqueça. Nem a sede da ONU é grande coisa. 


A cidade velha é bacana, sem ser extraordinária, e exige um pouco de exercício:




Como neste ano comemoram-se os 500 anos do nascimento de Calvino, a cidade preparou várias manifestações para marcar a data. A catedral de St. Pierre, ponto alto da cidade antiga, foi palco das pregações do reformador e apresenta uma miscelânea tão grande de estilos, construções sobre construções, que levou a nos perguntarmos se era ali mesmo. Sim, era.






A place du Molard é uma área bastante agradável, e dois ou três restaurantes tem suas cadeiras lado a lado. Mas o atendimento é bastante diferente. O Ristorante Molino chegou a ser irritante, tamanha a arrogância de quem não deve nem saber o que é uma estrela Michelin e age com pretensão. Já o Pub Nelson, além de ter garçonetes "normais", oferece boa cerveja feita no próprio bar, além de, pasmem, batatas fritas. Vocês têm idéia do quanto é raro achar por estas bandas algo tão simples quanto a combinação cerveja e batata-frita? Fora o olhar atravessado quando perguntamos por elas em alguns lugares. Bizarro, muito bizarro.



Enfim, comida super simples e bom atendimento superam de longe o vizinho Molino.



Algo que nos chamou a atenção foram os quase imperceptíveis jogos de xadrez e damas na Promenade des Bastions, logo em frente ao teatro.





Um dos pontos turísticos mais famosos da cidade é o relógio de flores. Sem muita graça para quem fez algumas excursões da escola quando criança para ver o de Curitiba.





A melhor coisa para se fazer na cidade: sentar em frente ao lago e relaxar. O jato de água estava desligado todas as vezes que passamos pelo lago, não sei se porque estava ventando muito, o que foi chato, afinal, é “o” cartão postal da cidade. O Vinny matou a vontade de sentir cheiro de mar, o que já foi suficiente.



Suíços mesmo, não sei se vimos algum. Talvez todos tenham se mudado para Berna. Mas o principal quando eu penso em Suíça foi devidamente foi encontrado: 




E a maratona de viagens deste semestre acabou, ufa. Viajar é maravilhoso, mas quando se tem de fazê-lo, e tão seguidamente, é cansativo. De volta à programação normal :)

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Château d'Amboise

Amboise tornou-se residência real sob Charles VIII e François I, o grande rei da Renascença francesa, recebendo no castelo vários artistas europeus que disseminaram a influência italiana do período. Foi cenário de muitas festas e do desenvolvimento da noção de civilidade e cortesia na corte, com personagens marcantes passando por seus salões.




Sala do Conselho



A Chapelle Saint-Hubert, onde hoje está a tumba de Leonardo da Vinci, servia como capela privada dos soberanos. Os vitrais, que mostram cenas da vida de Louis IX (São Luís) foram trocados em 1952 e dão cor a este recinto intimista.





A pequena construção, que possui vários detalhes góticos dos quais apenas ao vivo pode-se ter idéia de sua riqueza, é famosa por abrigar a sepultura de Leonardo da Vinci, que faleceu em Amboise em 1519. A residência de da Vinci, o Clos Lucé, do qual falei no último post, possuía uma ligação subterrânea com o castelo!





Ao longo dos séculos o castelo de Amboise foi ampliado, trocou de mãos, e teve mesmo 80% demolidos! No final do século XIX chegou a ser transformado em um asilo e somente após longas décadas de restauração ficou pronto para receber a horda de turistas que invade esta cidadezinha acolhedora. Comparado ao que já foi, pode ser hoje pequeno por fora, mas é cheio de história.








Do alto das muralhas têm-se uma vista panorâmica da cidade e pode-se admirar os telhados nada harmônicos, mas cujo conjunto é encantador:




Neuschwanstein pode ser o castelo mais bonito que já visitamos, mesmo pelos Alpes ao fundo que deixam o quadro de tirar o fôlego. Mas Amboise... por todos que passaram por suas portas, pela enormidade de seus feitos... decididamente se tornou meu favorito.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Amboise

A pequena cidade de Amboise tornou esta uma de minhas viagens favoritas. Há tantas casinhas adoráveis, lojas que são uma perdição e um povo simpático e acolhedor (que não gosta dos parisienses, precisa de mais?), que nos mostraram uma outra face da França.








O pequeno château du Clos Lucé foi a última morada de Leonardo da Vinci, que morreu nela em 1519. Procurou-se preservá-lo e restaurá-lo a fim de expor o ambiente de trabalho e de inspiração de um dos maiores gênios de seu tempo – bem, de todos os tempos.





Chegamos pouco tempo antes de pegar o último ônibus de volta a Tours, então não pudemos aproveitar a visita ao parque, no qual estão espalhadas várias invenções de da Vinci, para o desfrute das crianças (pequenas e grandes). Mesmo o parque e os jardins foram projetados seguindo paisagens que aparecem nos quadros e desenhos do mestre. Mas fica a dica para quem passar por lá!






Os restos mortais de da Vinci estão depositados no castelo de Amboise, a algumas centenas de metros do Clos Lucé, que merece um post apenas para ele ;)

E, como não poderia deixar de ser, lembranças comestíveis, que duraram pouco mas cujo gosto não dá para esquecer. Além de um bom tempo na principal loja local de bolachas, com uma longa desgustação. Estou viciada nos caramels au sel de Guérande :o