domingo, 31 de maio de 2009

Les cuisines de Chenonceau

Finalmente de volta. Fotos de Genebra sendo passadas para o pc, e eu ainda falando do Val du Loire, mas zuzu bem :)


As cozinhas do Chenonceau merecem um post à parte, porque me deixaram maravilhada. Podemos imaginar como as pessoas ali trabalhavam, como pratos eram preparados e levados de um lado para outro. Seção de carnes de um lado, com vários cutelos e cabeças de animais nas paredes, antigo depósito de víveres, área para preparar pão, grandes lareiras, copa, fogões com panelas de bronze reluzentes... Pouca coisa é propriamente do século XVI, mas o passeio maravilha qualquer entusiasta por cozinha!


O forno de pão

Vista "aérea" de uma das cozinhas

Forno à lenha e lindas panelas de cobre

Pudins, flans e ancestrais do muffin

A parte outrora sangrenta das cozinhas

Em breve meu favorito, Amboise!

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Château de Chenonceau

O castelo de Chenonceau foi construído sobre o rio Cher, no século XVI, e sua história, tão interessante, já foi contada pela Angie aqui. Desde que eu li sobre essa antiga residência real soube que tinha que conhecê-la!












O castelo, tomado pela realeza como pagamento de impostos atrasados pela família que o ergueu, foi dado de presente por Henri II para sua favorita, Diane de Poitiers. Abaixo, vocês podem conferir o quarto dela, com uma rica tapeçaria, e seu retrato:







Na lareira pode-se conferir o H, de Henri, e o C, de Cathérine,
que, entrelaçados, formam o D, de Diane.


Mas Diane não se limita a habitar o castelo, ela o torna uma propriedade geradora de rendas e o embeleza como nunca antes. Quando seu amante protetor morreu, naturalmente ela foi convidada a se retirar pela rainha, a maquiavélica Cathérine de Médicis (a mãe da Margot). E Cathérine não ficou atrás de Diane no cuidado com a residência; ela mandou construir a galeria sobre a antiga ponte de Diane, e tornou-a salão de baile, inaugurado em 1577 em honra de seu filho, então rei, Henri III.





Esta mesma galeria foi transformada em hospital durante a Primeira Guerra por seu proprietário, e também serviu durante a Segunda Guerra como rota de escape, pois uma das portas levava à Zona Livre, enquanto o resto do castelo se encontrava na Zona Ocupada.

O quarto de Louise de Lorraine, esposa de Henri III, foi reconstituído em tons fúnebres, com objetos que lembrariam o luto da rainha pelo assassinato de seu marido (aposto que os « amigos » deste rei ambivalente sentiram mais sua falta do que ela, mas deixa quieto…)





Os jardins do castelo também são interessantes e mostram o toque de Diane e de Cathérine, mas ainda não estavam floridos… mas o labirinto continua lá:





Além de várias telas interessantes estarem expostas no castelo, de Rubens e Correggio, entre outros, há um gabinete apenas com pinturas e desenhos do próprio château:



Representação da representação

Uma visita para ficar na memória:



sexta-feira, 22 de maio de 2009

Ratatouille strikes again

Na última ida para Paris, advinhem qual notícia me chama atenção de imediato?



« Pizza Hut entrega pizza com peperoni e rato morto ». Em Paris, claro. O pior foi a rede afirmar que não era culpa sua. Ok, a culpa pode ser do chiqueiro (aka loja), mas a responsabilidade é sim da rede.

Ao menos, descubro que não é só comigo que acontece essas coisas. Mas meu caso ainda foi menos traumático, afinal, eu me recusei a ficar com a comida da Brioche Dorée.

E viva a vigilância sanitária!

terça-feira, 19 de maio de 2009

Tours

Chegamos a Tours e o tempo virou. Friiiio, bagagem não preparada para isso (e eu que achei que já tinha aprendido com Wolfenbütel…), lojas com coleção de primavera-verão e nada razoavelmente usável. Mas não foi tão terrível, o pior mesmo era a chuva que não colaborou com muitas fotos.

Ficamos em um hotel pequeno, com um quarto lindinho, e os donos foram super simpáticos e empolgados por sermos brasileiros – estão programando uma viagem ao Brasil para o ano que vem, e já os fizemos incluir Curitiba no percurso :)

Além do tempo chato, manifestations sociales na cidade de Tours. E por pouco meu congresso não foi para o brejo.



Ainda que seja a maior cidade da região Centre da França, definitivamente as noções de « grande » e « pequena » são diferentes para quem vem de um país ligeiramente maior. Uma tarde bastou para conhecermos a parte turística da cidade, que já foi capital do reino francês. O centro histórico é uma graça, e há diversas ruas com nomes pouco usuais como rue du Serpent Volant, rue de la Cuillière, rue du Petit Soleil… E alguns estabelecimentos não ficam para trás:



O centro histórico, conhecido como Vieux Tours, apresenta várias fachadas antigas, todas reformadas na metade do século XX e que hoje abrigam bares, cafés e restaurantes:








A casa pertencente ao homem que forneceu uma armadura à Joana d’Arc relembra a passagem da donzela de Orléans pela cidade:



Um dos pontos mais visitados na cidade é a catedral (cathédrale de Saint-Gatien), construída entre os séculos XII e XVI e atualmente em reforma (para variar). Os vitrais, o órgão e as esculturas fúnebres possuem aquela beleza austera e triste (e opressora, para não deixar de mencionar) que apenas catedrais como essas sabem mostrar:





(Clique para ampliar)

Nos próximos posts, a parte mais legal da viagem :)


segunda-feira, 18 de maio de 2009

Porque Paris não é a França

Já havíamos percebido isso em uma visita à Chantilly, além de colecionar as poucas situações em que recebemos alguma gentileza naquela cidade e tratava-se, de fato, de não-parisienses. Não me entendam mal, eu sei que a maioria dos brasileiros é deslumbrada por Paris e não quero promover um debate aqui – mesmo porque todo mundo que acompanha esse blog sabe, minimamente, que lá eu vivi de preconceito por ser brasileira à rato sobre a comida.

A cidade é linda, de fato. Tem muitas opções culturais e de compras. Mas o povo é um entojo. E o fedor é nauseante em alguns lugares. No fim, tudo é uma questão de referência, o que é sujo, fedido e grosseiro para mim pode não para você, e vice-versa.

A nossa surpresa foi ver que essa também é a percepção de quem vive fora de lá. O povo de Tours e particularmente o de Amboise se mostraram tão acolhedores e gentis, que nos perguntamos se estávamos no mesmo país.

Segundo o dono do hotel em que ficamos em Tours, em Paris não há mais franceses. Não exatamente pela quantidade de imigrantes, mas porque os parisienses se colocam à parte da França, e ainda se acreditam representativos do país. Em Amboise, ao conversarmos com uma farmacêutica, ela perguntou de onde vínhamos – admirou-se ao ver brasileiros de pele clara (a mesma cena básica) – e torceu o nariz quando mencionamos que passáramos por Paris. E se a cidadezinha já havia me encantado, ela me ganhou completamente quando a jovem falou da grosseria dos parisienses, que ela não gosta nem um pouco de lá. Vejam bem, ela mencionou, não eu.

Então, tirando o stress de chegar e sair por Paris, nossa viagem foi maravilhosa, uma de minhas favoritas. Em meio a uma agenda fechada com compromissos profissionais e uma gripe súbita que atacou o Vinny (com remedinhos já está passando, então nada da gripe porcine por aqui - e vocês já se deram conta de que a célebre viúva Porcina era a viúva porca?), conseguimos visitar três castelos. E conhecer castelos é sempre lindo, mas para mim, que estudo o período em que eles viram seu apogeu, que agora posso visualizar no espaço a corte de François I, os Valois e os Bourbon, foi emocionante.

Na bagagem, muitas fotos e algumas lembranças comestíveis – o tipo favorito do Lumpy. E memórias para toda vida.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Mais do que livros

Ontem eu conversava com uma amiga sobre livros que ficam conosco. Livros cujos universos nos sugam de tal maneira que fica difícil voltar à realidade. Ela sentiu isso depois de ler todos os livros do novo hit vampiresco, e não é vergonha nenhuma se perder em livros pretensamente teens. Quem nunca devorou um Harry Potter em um final de semana não sabe o que está perdendo.

Mas eu resistirei à tentação de ler tais livros antes de acabar a tese. Questão de necessidade. E fico aliviada por estes livros não terem sido lançados na minha adolescência, porque pelo jeito eu me perderia irremediavelmente no mundo de Edward. Já foi difícil deixar de visualizar a paisagem do Morro dos Ventos Uivantes desde que eu o li ao menos uma vez por ano, desde os 9.

E durante anos permaneceu sendo meu livro favorito. A despeito de eu vibrar com cada cena de batalha narrada por Bernard Cornwell, o romantismo trágico de Cathy e Heatcliff continuou comigo. Mas ao ler a trilogia Fronteiras do Universo, de Philip Pullman – (des)qualificada como teen, mas seria realmente genial se todo adolescente lesse e refletisse sobre o que o autor apresenta – um novo favorito foi eleito. Chegaram mesmo a afirmar que seus livros são muito mais perigosos do que os livros sobre o mundo de Hogwarts, o que é um alarmante indício de quão bons os livros são, do quanto eles podem influenciar uma visão de mundo ajustada à ortodoxia.

Não se deixem enganar pela adaptação dos cinemas, cujo parco rendimento acabou com as chances de sequência. O primeiro livro é bonzinho, mas o segundo e o terceiro são maravilhosos. E eu me debati entre o impulso de ler o tempo todo para chegar ao final da história e a vontade de preservá-la por mais tempo, para que o livro nunca acabasse. A urgência venceu, e no final eu chorava copiosamente. Passei semanas sentindo falta daquele universo e questionando as escolhas dos protagonistas.

E eu não sei se algum livro irá me tocar tanto quanto estes. Espero que sim.

E vocês, têm algum livro que os prendeu de tal forma?