segunda-feira, 30 de março de 2009

Lumpy em Versailles

Foi a primeira visita do Lumpy a Versailles, e devo dizer que ele ficou um pouco decepcionado, tendo se divertido muito mais no Sanssouci, a apenas pouco mais de 1 hora de casa. Mas o tempo faz toda a diferença e no inverno, sob chuva e um vento de lutar com o guarda-chuva, nada de cenas exteriores interessantes, nada de jardins bem cuidados.



Mas o interior esplendoroso continua o mesmo. Voilà la résidence du Roi Soleil:














Uma das melhores partes, ver as obras de Jacques Louis David, e toda a importância que ele teve para o neoclassicismo:





Os aposentos do dauphin, lugar tranquilo para se trabalhar, não?





Para quem já jogou Civilization, uma imagem bem conhecida:





sábado, 28 de março de 2009

Amigas

Acho que minha amizade mais antiga tem pouco mais de 15 anos. Foi uma amizade que sobreviveu às novas turmas, às faculdades diferentes, mas que permanece. Não importa o tempo que fiquemos sem nos falar, nunca há aquele vazio desconfortável na conversa, sabe? Porque crescemos e mudamos, mas ainda nos reconhecemos. E nos lembramos.

Tenho antigas e novas conhecidas também. Amigas que viraram conhecidas e conhecidas que aos poucos se tornam amigas. Porque não me entendam mal, eu não sou o tipo de pessoa que fala pelos cotovelos e conta a história da vida para quem mal conhece. Sim, eu sou bem curitibana neste aspecto, e sou bastante reservada. Não exatamente o tipo de pessoa que tem um milhão de amigos.

Para mim quantidade não significa qualidade; colegas, conhecidos são uma coisa, amigos são outra. Então eu aprecio bastante aquelas pessoas com quem eu posso contar, e para quem estou presente. Porque lealdade é essencial numa relação. E pisada na bola não tem volta.

Mas tenho um grupo de amigas de quem eu gosto na exata proporção inversa ao tempo que nos conhecemos. Amigas para os bons e maus momentos, para os surtos consumistas e reclamações de que a grana está curta. Amigas que adoram mandar presentinhos carinhosos, e o fazem porque são amigas, não porque querem ser, e cujo maior presente é a presença a despeito do oceano no meio. Amigas que simplesmente se importam umas com as outras, e não ficam naquela competição que parece mover determinadas mulheres. Sim, "amizade" entre mulheres pode ser algo complicado. Felizmente estou falando de outro tipo de amizade, esta sem aspas.

E nesta semana eu ganhei um monte de presentinhos fofos de uma das minhas pessoas favoritas, que tem esse blog aqui (obrigada, Dessa! Você sabe o quanto eu amei, né?). E eu fico incrivelmente desconfortável em dar trabalho e despesa, porque uma caixa do Brasil para cá custa meio rim no mercado negro (meninas que eu adoro, parem com isso, sim? I mean it).


Então, eu estou bem. E muito bem acompanhada. E vocês?

quarta-feira, 25 de março de 2009

Post em tempo real

Ok, vamos à minha pequena aventura.

Cheguei no aeroporto antes das 9 da noite, depois de pegar um lanchinho básico na Gare de l’Est. Aliás, aquela estação deveria ser modelo para todas as grandes nesta cidade, porque a quantidade de lojas (Sephora inclusive) e a ausência de mau cheiro são impressionantes. Não é à toa que os trens alemães param lá, mas como a pobre estudante latino-americana que sou, encaro as low-cost.

Anyway, ao chegar fui checar se poderia passar pelo controle de segurança e ficar na área de embarque. Não que eu queira fazer fila 9 horas antes do meu vôo, mas é que daquele lado tem Playstation. Isso seria legal para passar a noite ou não?

21 horas: Ainda tem uma quantidade razoável de gente por aqui, será que todo esse povo quer economizar hotel também??

21:15: Consegui achar uma cadeira ao lado de uma tomada e me abanquei com meu netbook. Logo atrás de mim tem uma senhora sentada com um DVD player portátil, assistindo Tróia. Ok, parece que vai ser tudo tranquilo.

21:30: Passou um pedinte querendo uma moeda. Até aqui???

22:00: Meu querido Vinny deixou uma música para mim, tão lindinha!!! Adoro Die Prinzen. E essa letra é tão meiga!



22:30: Acho que este foi o último vôo a chegar, logo poderei tirar minhas botas, yay!

23:00: Minha neura de chegar cedo compensou, porque uma batalha pelas últimas tomadas disponíveis se desenrolou. E eu tenho a minha, huahuahuahua.

Este, aparentemente, virou o cantinho dos madrugadores. Gostei!! (será que tiro minhas botas?)

23:30: Algumas pessoas me acharam doida por passar a noite acordada no aeroporto. Doidas são as criaturas que, sem cerimônia, acabaram de deitar no chão e se enrolaram nos casacos.

A maior parte das luzes foi apagada, enquanto mais gente chegou para pernoitar.

00:00: Lembram-se da velhinha sentada atrás de mim? Ela saiu e sentou um cara no lugar. Meio hippie e chupando (atenção, eu disse chupando) banana seca. Iuc. Enquanto assiste a um show do Kiss. Sério.

Já tem gente roncando. RONCANDO.

E sim, tirei as botas.

00:30: Há pouco passou um segurança checando quem vai viajar realmente amanhã cedo. Até que é organizado isso aqui!

02:00: Muito papo e alguns seriados depois, continuo tudo sossegado por aqui. A maioria das pessoas está estirada nos bancos ou simplesmente no chão. O doido, atrás de mim, empolgou-se com o show que está assistindo e começou a tocar bateria imaginária, até eu virar para trás com aquela cara de « sossega ou eu te arrebento ».

Daqui 10 minutos repetiremos a cena, mas zuzu bem.


3:30: Acenderam as luzes de volta. Contando as pessoas espalhadas por aqui, quase 50 passaram a noite no aeroporto!


5:00: Estou podre. Coisa que acontece inevitavelmente, mesmo em hotel, com um vôo de volta tão cedo. E o aéroport d’Orly se mostrou um lugar bem decente para passar a noite. Imagina um aeroporto maior??

Tom Hanks manjou tudo.

terça-feira, 24 de março de 2009

Loucura climática

Metade de março e começávamos a deixar as luvas em casa, às vezes até o cachecol. Mesmo as árvores dão sinais de vida, com umas poucas flores e folhas as cobrindo, em contraste com sua nudez do inverno.

Até hoje. Amanheceu com um sol brilhante (e com os vizinhos morféticos de cima martelando) e, por volta das 11, escureceu. Caiu a nevasca mais forte que já vi por estas bandas, com um vento forte e cortante. 20 minutos depois parou. Depois o sol abriu de novo, fechou mais uma vez, saímos num frio cortante, com flocos de neve, e o tempo ainda não se defininiu.

Tudo isso na metade de março, people.

Wanhsinn.

E amanhã eu viajo de novo e terei uma pequena aventura. Com um vôo de volta pouco depois das 6 da manhã, vou "dormir" no aeroporto. "Dormir" porque na verdade não vou dormir nada, assim como não o faria num hotel. Então os euros ficam na minha carteira e espero ter uma noite minimamente normal, com muitos Kit Kats e Coca Light, falando pela internet com pessoas queridas.

Claro, se me mandarem embora do aeroporto, no mínimo vai ter um post interessante na quinta… Certo?

segunda-feira, 23 de março de 2009

Feliz aniversário, meu amor

Ok, eu sei que você não gosta de todo o fuzz em torno dos aniversários, ao contrário de mim, que acho as únicas datas realmente importantes a se comemorar – especialmente quando você chega à mesma idade que eu! (por alguns meses, ao menos, depois eu volto ao estigma da mulher mais velha que envolve jovenzinhos).

Bem, ainda é o meu blog (enquanto o Lumpy não quiser se apossar) e, como se trata da pessoa mais importante no mundo para mim, essencialmente falando, tudo o que eu posso dizer é que tem bolo na geladeira e um presente ganho antecipadamente ainda não aberto. Mas sou eu quem ganha presente todos os dias por estar com você.

Feliz aniversário, querido. E que o próximo ano seja como o anterior: melhor do que todos os que vivemos até então.


quinta-feira, 19 de março de 2009

O melhor de Paris

Para alguns são os cafés com vista para o Sena, nos quais sentar para ler e tomar um café é renovador. Para outros, é a moda. Para outros ainda, é a vida cultural riquíssima, com vários museus, peças teatrais, centros de exposição…

Ok, certamente isto está para mim entre o melhor da cidade. Mas, por exemplo, o Kunsthistorisches Museum de Viena reune uma coleção fabulosa dentro de um espaço perfeito, que ninguém precisa de dias e dias para conhecer minimamente. Café, cada um tem seu favorito. E moda? Depende do bolso. E do bom senso.

Então, essencialmente, o que se encontra em Paris que eu não vi reunido tão bem em nenhuma outra cidade?





O melhor croissant. Como vocês podem imaginar, é uma tarefa bastante ingrata colocar esta classificação à prova, sempre experimentando croissants de diferentes boulangeries. Mas, até agora, o Bon Paneton mostrou-se imbatível.

Uma pequena padaria no XVe arrondissement, o bairro que, por um curto período, adoramos chamar de casa, o Bon Paneton é uma perdição para qualquer dieta, com seus pães simplesmente fenomenais. Os doces também não são de se jogar fora, mas os croissants… ah, o gosto de manteiga de primeira não encontrei igual.


Le Bon Paneton. 105, rue Saint Charles. 75005. Métro 10, Charles Michels.

Confesso que nunca entendi o auê em torno dos macarrons. Na verdade, não gostei nem um pouco quando provei os da rede de padarias Paul. Até provar os de sua excelência Pierre Hermé. Eles simplesmente desmancham na boca, deixando o generoso recheio impregnar o paladar.

Continuam não sendo meus doces favoritos, mas agora eu entendo. De verdade.


Pierre Hermé. 72, rue Bonaparte. 75006 / 185, rue de Vaugirard. 75015 / 4, rue Cambon. 75001.

E pode não ser típico, mas é o melhor blueberry muffin. As Starbucks de Berlin ou Londres não captaram o segredo, porque é absolumente diferente o blueberry muffin de Paris.



Claro, com uma crème à la fraise para acompanhar.



Lumpy, o mais berliner dos parisienses, o melhor que trouxe de lá.

E uma descoberta de encher os olhos no XVIIIe, a boutique de Arnaud Larher, ex-Fauchon, com seus doces em forma de pequenas obras de arte:




Na foto, da esq. para dir. e de cima para baixo:

Le Toulouse Lautrec: biscoito de chocolate embebido em néctar de cacau, creme brulée de chocolate e mousse de chocolate amargo.

L’Éclair au chocolat: massa delicada e um crème patissière de chocolate impecável.

Le Monte Cristo: biscoito de chocolate imerso em licor de framboesa, creme de framboesa e mousse de chocolate amargo, cobertos por uma delicada geléia de framboesa.

Le Cristal: base de biscoito com amêndoas grelhadas, geléia de cassis e creme de baunilha perfumado com violetas, tudo arrematado com um macarron de cassis.

No passeio pela butte Montmartre, não deixe de se aventurar no 53, rue Caulaincourt. Métro Simplon (Ligne 4). Também no restaurante das Galeries Lafayette.

quarta-feira, 18 de março de 2009

O porque de às vezes até eu me surpreender com Paris

E não, não é no bom sentido.

A linha 4 do metrô nos surpreendeu com uma estação onde vários traficantes, em plena luz do dia, oferecem sua mercadoria, às vezes junto de cartões dos salões de cabelereiro dos arredores. Dentro da estação e logo fora dela. Para não dizer que foi coisa de um dia só, em outros passamos por ela e simplesmente os traficantes, ao abrir a porta do metrô, mostram o interior de seus casacos e perguntam se alguém quer alguma coisa.

Sério. Em plena luz do dia, na cara de todo mundo. Não era nenhuma favela, mas a estação Château d’Eau.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Montmartre

Nossos fantasmas de Montmartre foram devidamente exorcizados. O XVIIIe é mais um daqueles bairros multifacetados, com áreas residenciais tranquilas, com um comércio bonitinho, e outras que parecem que você desembarcou em outro país (e, assim que o fizemos, riscamos a existência de uma estação de metrô do mapa).

Também é o bairro de um dos mais famosos cartões postais da cidade, em sua versão reconstruída aqui:




Felizmente, desta vez encaramos a primeira opção, uma área razoavelmente tranquila e, claro, com as subidas características – e o WiiFit nem fez falta com a quantidade de exercício que fizemos!




Ficar temporariamente em Montmartre pede uma subida até Sacre-Cœur:





E a vista continua a mesma, com a Tour Montparnasse se erguendo solitária:









E até um pouquinho de Brasil:


sexta-feira, 13 de março de 2009

Não tem lugar como nosso lar

Quase 10 dias em Paris para pesquisar um material, seguindo recomendação do chefe. Yay nada, com o meu histórico naquela cidade os dias não seriam exatamente fáceis, mas, hey, tudo em nome da pesquisa.

O detalhe foi descobrir que o tal material simplesmente não existe. Para completar, fui até o banlieu para assistir a um seminário e, advinhem? Manifestation sociale… Nesta hora eu virei Eric Cartman e usei as interjeições tão meigas dele, porque, sério, de novo??? Eu vou de Berlin à Paris para assistir seminário e o raio de uma manifestation sociale?

Realmente, falta muito para as férias de primavera. Já estava mais do que na hora de uma paradinha básica para normalizar as coisas.

Mas, tirando estes "pequenos" detalhes, nossa viagem à Paris não foi assustadora como de costume. Assustadora foi, porque não estou acostumada a simplesmente não me deparar com nenhum acontecimento insólito por aquelas bandas. Algumas poucas pessoas até se aventuraram a falar pardon e merci. Outras até puxaram papo (que morreu logo depois de eu mencionar que sou casada... por que será?). Bizarro, muito bizarro…

Também descobri uma nova utilidade para cachecol: tapar o nariz para evitar o fedor das estações de metrô. Claro, porque a série de eventos caóticos pode ter sido momentaneamente interrompida, mas o cheiro permanece.

Falando em caótico, na última sexta-feira, policiais estavam por todos os lados. Estações de metrô fechadas e cercadas, as ruas com pouquíssima gente (praticamente apenas turistas, como se os franceses soubessem o que se passava e quisessem acabar com os turistas mesmo). As lojas no carroussel du Louvre foram fechadas, assim como o museu, e as pessoas encaminhadas à saída.

Atentado terrorista foi nosso primeiro chute. Lembramos também do final de The Happening nos jardins de Luxembourg e olhamos para cima, para ver se ninguém começava a cair. Mas, numa situação dessas, nossa reação foi: OK, adianta ir para algum lugar? Não. Então vamos até o Bon Panetton comprar uns croissants.

E nada da TV sobre o ocorrido. Mistério.

A frase "não tem lugar como nosso lar" pode ser piegas, mas se aplica perfeitamente à nossa volta para casa. Porque, para nós, não há cidade como Berlin. Mas, ao menos desta vez, voltamos ilesos. Baita progresso.

terça-feira, 3 de março de 2009

Trabalho, trabalho, trabalho (e um pouco de diversão também)

Longos dias de trabalho em Paris, com Vinny e Lumpy a tira-colo para manter minha sanidade. E vamos tentar acabar com nossos fantasmas de Montmartre (e se você aaaaaaaama Montmartre, é porque não visitou o apartamento do enforcado, nem foi quase atacado por dois nigerianos lá, logo eu continuarei reclamando, sim? é, eu sei, tudo acontece comigo naquela terra, blablabla).




Lumpy está ansioso, afinal, quando deixamos Paris ele era ainda um bebezinho.



Voltamos com algumas fotinhos, tá?


Take care of yourselves, kids.