Nesta semana fomos na exposição "Babylon - Mythos und Wahrheit", Babilônia - Mitos e Verdade, uma exposição promovida pela SMB (Staatliche Museen zu Berlin), pelo Louvre e pelo British Museum que será exibida no Pergamon Museum até 5 de outubro e já recebeu mais de 500.000 visitantes. Foi a melhor exposição que eu já visitei, com uma reconstrução de cair o queixo do portal de Ishtar e uma reunião espetacular de objetos.

Proibido tirar fotos da exposição, então tirei esta da Wikipedia. Ao vivo é fenomenal.
Eu preferi a parte Verdade, com muitos registros arqueológicos. A parte Mitos é bastante interessante também e explorou principalmente as referências bíblicas, ou seja, Babilônia como uma cidade pecadora, a famosa Torre de Babel e a mítica destruição divina. Mas nesta parte os organizadores se permitiram algumas viagens, que no final ficaram tolas – como uma sala projetando um filme baseado na imagem da prostituta da Babilônia em dois telões, mas era apenas uma mulher semi-nua se remexendo :D; ou chatas – como uma sala com um monte de campainhas que tocavam o tempo todo, tendo como fundo uma confusão de idiomas, para lembrar a multiplicidade lingüística da Babilônia.
Acho que teria sido interessante se eles tivessem explorado mais o fato de que Semiramis, soberana na qual fundou-se o estereótipo da prostituta, era uma rainha conquistadora que dominou com mão de ferro boa parte da Ásia e, segundo alguns relatos, construiu Babel. A lenda conta que, além de guerreira, ela era uma devoradora de homens. Mas, se fosse um homem, ele passaria à história como um grande soberano, um homem de visão à frente de seu tempo, blablabla, mas sendo mulher, claro, é uma prostituta. Sexismo, Bíblia (oi?), o pacote básico.
Depois visitamos o museu em si, que fica na maravilhosa região do Museuminsel (ilha dos museus) e abriga uma coletânea de objetos a partir das escavações em Pergamo, na Grécia, sob supervisão alemã. Nem toda a coleção original encontra-se de fato no Pergamon, que sofreu sérios danos com o bombardeio aéreo de Berlin no final da Segunda Guerra e com os roubos espólios, sendo que algumas peças ainda se encontram na Rússia (que já disse que não vai devolver). Claro, reformas para todo lado, então nem a fachada parece grande coisa:

Mas algumas do interior dão uma idéia da coleção:

Altar de Pergamo

Os portões da praça do mercado de Miletus e estátua de Atenas
Voltamos pelo fundo do Berliner Dom (catedral de Berlin) e paramos por alguns minutos na ponte.

E tinha um homem pescando no Spree! Em pleno centro de Berlin, o cara estava pescando! E o surpreendente é que, nos três minutos em que ficamos parados lá, ele pegou um peixe de fato.

Bem, eu percebi que, apesar de falar o quanto eu amo morar aqui, o quanto são loucos alguns dos meus vizinhos, eu posto fotos e falo dos lugares para onde viajamos, mas não falo de Berlin propriamente!
E Berlin é uma cidade tão incrível, com tanta coisa para se ver e que, mesmo estando em constante renovação, nela sentimos a história do século XX tão marcada. Então começarei a falar mais disso aqui, pois definitivamente Berlin merece estar em qualquer relação de cidades européias a se conhecer.
Pois é triste, mas a maioria dos brasileiros que viajam para o exterior não tem interesse nenhum em conhecer a Alemanha. Parte disso se deve à tradição francesa na qual se baseia o ensino da História no Brasil. Das suas aulas, do que você se lembra a propósito da Alemanha? Nazismo. E há muito mais por trás disso. Há uma cultura riquíssima, pessoas que, se não são excepcionalmente amáveis e calorosas, são corteses e corretas. E se você tem um interesse mínimo por história, vai se deslumbrar, garanto.