terça-feira, 30 de setembro de 2008

2a feira

Porque eu adoro as segundas-feiras:

 

                                                                                                          

Que, em sua melhor forma, são desavergonhadamente flamingos:

   


E de quebra um trio para deixar a semana leve com muitas risadas:

                                                                       

Claro, eu adoro a segunda-feira dos Estados Unidos. Na realidade eu adoro as tercas-feiras, quando tudo isso já foi legendado e upado por criaturas mágicas e invisíveis que me fazem esquecer da barbaridade que são séries dubladas.

domingo, 28 de setembro de 2008

O Pergamon Museum e confissão de culpa

Nesta semana fomos na exposição "Babylon - Mythos und Wahrheit", Babilônia - Mitos e Verdade, uma exposição promovida pela SMB (Staatliche Museen zu Berlin), pelo Louvre e pelo British Museum que será exibida no Pergamon Museum até 5 de outubro e já recebeu mais de 500.000 visitantes. Foi a melhor exposição que eu já visitei, com uma reconstrução de cair o queixo do portal de Ishtar e uma reunião espetacular de objetos.


Proibido tirar fotos da exposição, então tirei esta da Wikipedia. Ao vivo é fenomenal.

Eu preferi a parte Verdade, com muitos registros arqueológicos. A parte Mitos é bastante interessante também e explorou principalmente as referências bíblicas, ou seja, Babilônia como uma cidade pecadora, a famosa Torre de Babel e a mítica destruição divina. Mas nesta parte os organizadores se permitiram algumas viagens, que no final ficaram tolas – como uma sala projetando um filme baseado na imagem da prostituta da Babilônia em dois telões, mas era apenas uma mulher semi-nua se remexendo :D; ou chatas – como uma sala com um monte de campainhas que tocavam o tempo todo, tendo como fundo uma confusão de idiomas, para lembrar a multiplicidade lingüística da Babilônia. 

Acho que teria sido interessante se eles tivessem explorado mais o fato de que Semiramis, soberana na qual fundou-se o estereótipo da prostituta, era uma rainha conquistadora que dominou com mão de ferro boa parte da Ásia e, segundo alguns relatos, construiu Babel. A lenda conta que, além de guerreira, ela era uma devoradora de homens. Mas, se fosse um homem, ele passaria à história como um grande soberano, um homem de visão à frente de seu tempo, blablabla, mas sendo mulher, claro, é uma prostituta. Sexismo, Bíblia (oi?), o pacote básico.

Depois visitamos o museu em si, que fica na maravilhosa região do Museuminsel (ilha dos museus) e abriga uma coletânea de objetos a partir das escavações em Pergamo, na Grécia, sob supervisão alemã. Nem toda a coleção original encontra-se de fato no Pergamon, que sofreu sérios danos com o bombardeio aéreo de Berlin no final da Segunda Guerra e com os roubos  espólios, sendo que algumas peças ainda se encontram na Rússia (que já disse que não vai devolver). Claro, reformas para todo lado, então nem a fachada parece grande coisa:


Mas algumas do interior dão uma idéia da coleção:

Altar de Pergamo


Os portões da praça do mercado de Miletus e estátua de Atenas

Voltamos pelo fundo do Berliner Dom (catedral de Berlin) e paramos por alguns minutos na ponte.


E tinha um homem pescando no Spree! Em pleno centro de Berlin, o cara estava pescando! E o surpreendente é que, nos três minutos em que ficamos parados lá, ele pegou um peixe de fato.

Bem, eu percebi que, apesar de falar o quanto eu amo morar aqui, o quanto são loucos alguns dos meus vizinhos, eu posto fotos e falo dos lugares para onde viajamos, mas não falo de Berlin propriamente!

E Berlin é uma cidade tão incrível, com tanta coisa para se ver e que, mesmo estando em constante renovação, nela sentimos a história do século XX tão marcada. Então começarei a falar mais disso aqui, pois definitivamente Berlin merece estar em qualquer relação de cidades européias a se conhecer.

Pois é triste, mas a maioria dos brasileiros que viajam para o exterior não tem interesse nenhum em conhecer a Alemanha. Parte disso se deve à tradição francesa na qual se baseia o ensino da História no Brasil. Das suas aulas, do que você se lembra a propósito da Alemanha? Nazismo. E há muito mais por trás disso. Há uma cultura riquíssima, pessoas que, se não são excepcionalmente amáveis e calorosas, são corteses e corretas. E se você tem um interesse mínimo por história, vai se deslumbrar, garanto.




sábado, 27 de setembro de 2008

Adeus às minhas madrugadas

Gente, o Tourette está completamente surtado hoje. Para quem quiser saber um pouco mais sobre os vizinhos insólitos que eu tenho, clique aqui e aqui.

Não dá para trabalhar, não dá nem para assistir alguma coisa direito. Porque ou o cara liga uma música extremamente bizonha e, infelizmente eu não sei o nome para colocá-la aqui, ou ele grita fuck you, fuck you e fica dando batidas (em si mesmo? nos parentes? na parede?).

Sim, é triste ter uma doença dessas (bom, é triste ter qualquer doença), mas você imagina alguém que trabalha lendo e escrevendo. Alguém que é notívago e que, mesmo se não fosse, teria de virar por causa das construções intermináveis que assolam os dias – e agora estão quase demolindo um prédio na quadra de trás. Eu sou assim. O Vinny é assim. Então a gente acaba tendo de escutar fuck you, que a essa altura está dirigido para todos os vizinhos que gritam para o sujeito, e acumular o trabalho.

Daí eu faço o quê? Vou ler os blogs de vocês. Eu adoro fazer isso, embora eu realmente precise trabalhar agora.

Mas, como Mont Python muito bem nos ensinou, always look on the bright side of life: a cantora está melhorando. Yey.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Ein trauriger Tag für Knut


Morreu o papi do Knut, Thomas Dörflein. Lumpy já ligou para o amigo para consolá-lo.

Menos mal que é um adulto agora. Mas triste, de qualquer forma.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

8 anos de faculdade e 20 de prática para...

Ir em médico no exterior é um saco. Quando não é um caso grave, é uma tarefa que se adia até não agüentar mais. Primeiro porque, bem, é uma ida ao médico, e eu ainda não conheci ninguém que gostasse de fazer uma visitinha destas. Segundo porque, mesmo fluente, rola uma insegurança. E, se você der sorte de encontrar um médico que fale português (ou inglês ou francês, mais acessíveis em terras germânicas), ainda há uma secretária-monstro para encarar, que ao perceber que você é estrangeiro lhe trata com mais má vontade ainda.

Mas o cúmulo é passar por tudo isso e ter uma consulta inútil!

Especialidade: dermatologia

Cara da médica: um maracujá de gaveta (a ainda no começo dos 50)

Diagnóstico : uma manchinha de sol? Que frescura! Anti-idade para prevenir? Por quêêêê???

Ah, e eu ainda entreguei minha lista de alergias. Ela simplesmente disse que é impossível eu ser alérgica a tudo aquilo, pois tem medicamentos ali que eu nunca usei (como se ela soubesse). Isso que estava escrito "reação cruzada" em português, francês, inglês e alemão... É dose ter que explicar o próprio trabalho para alguém que ainda faz cara de quem não acredita ao escutar que eu fiz os testes no Brasil.

E sim, ela me indicou um produto. Com um ingrediente ao qual eu sou alérgica!!!

Essa só não ganha da francesa, para quem eu liguei perguntando se fazia o procedimento e, no consultório, apenas me passou o cartão de um médico que fazia, porque ela não fazia realmente. E, claro, cobrou por isso.

Aff…


terça-feira, 16 de setembro de 2008

Um tampinha não dói? E se for em você?

Há algum tempo atrás li um post de um blog que me chocou. Não necessariamente pelo tema, porque muitas pessoas ainda pensam desta forma, mas por ser alguém jovem a pensar assim. E, neste ponto, eu sou "moderna" com bastante orgulho.

Durante séculos (milênios, propriamente) a punição de crianças foi legítima, assim como o eram a punição das esposas e dos criados… Por que somente a violência contra crianças continua a ser algo "normal"? Porque as crianças, ao contrário das mulheres e dos empregados, não podem se defender por si mesmas ou porque a mentalidade ainda não evoluiu ao ponto de considerá-las como seres únicos e merecedores de respeito?

Eu não acho que seja isso. Felizmente a mentalidade evoluiu e eu torço para que sejam vozes isoladas, pois me choca ver pessoas da minha geração que acham abolutamente normal bater nos filhos. E, para mim, permanece algo inexplicável que alguém mesmo antes de ter filhos pense em bater neles. Por que tê-los então? 

Sim, há uma grande diferença entre "dar umas palmadas" e espancar. Os efeitos físicos, as marcas que ficam são diferentes, mas a humilhação é a mesma. Como você se sentiria se uma pessoa que detém autoridade sobre você, seu chefe, por exemplo, achasse que tem o direito de lhe "corrigir" fisicamente? E se seu chefe tivesse o dobro ou o triplo do seu tamanho?

Existem crianças terríveis, é verdade. Mas tudo reflete a atenção e a criação fornecidas, e existem diferentes formas de mostrar certo e errado. Se você usa a violência para mostrar o que é certo, como pode esperar que seu filho não veja a violência como uma solução?

Surra é apenas uma forma de impor a vontade. É a expressão do cansaço, do stress, da frustração de pais que não sabem o que fazer e querem dar um basta, impondo sua vontade pela força. E o que resta para a criança é a humilhação.

Eu nunca fui espancada pela minha mãe. Mas me lembro de cada surra que levei, e não vejo "justiça" em nenhuma delas. Não acho que tenham me feito “aprender” algo positivo ou “respeitar as regras”, muito pelo contrário.

Ainda não tenho filhos. Mas os planejo com cuidado e reflito sobre a criação deles. E não, não vou bater neles. Se alguém fizer isso, apanha de mim.


domingo, 14 de setembro de 2008

Questão de idade

Que as percepções da idade e do envelhecimento são diferentes em países tão distintos como a Alemanha e o Brasil não é novidade. Mas eu não deixo de me admirar ao ver julgamentos ainda tão ancorados em estereótipos por parte de jovens (e jovens com acesso ao ensino superior e à toda uma gama de instrumentos enriquecedores de cultura).


No Brasil é bastante (e tristemente) comum encarar as pessoas que passam dos 50 como velhas. As que ultrapassam os 60 ainda correm o risco de serem carinhosamente chamadas de um fardo social – e não vou nem entrar nas relações familiares. Hoje, em uma cultura hedonista, com o alcance dos tratamentos estéticos e busca de uma vida mais saudável, contraditoriamente há aqueles que acham que uma mulher que beira os 45 anos é "coroa". E, se olharmos para poucas décadas atrás, as pessoas que tem 35 hoje parecem ter 25, as de 45 parecem ter 35, e por aí vai… Seriam os conservantes???


Mas o problema não é só dos jovens e sua até compreensível visão limitada à própria faixa etária (ao menos até o momento em que ela é ultrapassada). Muitas pessoas, ao chegar aos 50 anos, vêem-se com um olhar pouco lisonjeiro e esperam os 60 pela tão ansiada aposentadoria. Por diversas vezes presenciei cenas em que um/a senhor/a, aparentemente forte e saudável, furou a fila do supermercado ou exigiu seu lugar no ônibus (mesmo diante de um jovem com uma mochila pesada), argumentando que não só aquele era seu direito, como já tinha esperado em muita fila na vida…

E, chegando aqui, eu me admirei. Há um alto número de idosos. E idosos que moram sozinhos, aos 70, 80, 90 anos, vão ao supermercado, pagam suas contas pela internet, e se ofendem se é um mulher que lhes oferece lugar no metrô. Os senhores costumam recusar mesmo se é um jovem que lhe oferece. A idéia de que se é "velho" não é de forma alguma ligada à incapacidade, não há um discurso vazio de que se deve "respeitar os mais velhos" - mesmo porque, na minha opinião, respeito não se pede, impõ-se, e não pela idade, mas por atitudes. Aqui existe respeito, e não um discurso sobre ele.


Decididamente, a idade que importa é aquela que está na cabeça. E eu quero morrer trabalhando (não literalmente, isso seria desconfortável para os colegas).


sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Não, eu não vou desistir da Coca

Minhas idas ao supermercado, ou a qualquer loja, costumam demorar. Porque eu olho os ingredientes de quase tudo, e a validade de tudo. Mas eu nunca me dei de conta de que Coca Cola também tem validade!

Para mim, Coca era uma daquelas coisas que poderiam ter ficado estocadas na ilha de Lost por décadas, e um sortudo como Hurley ainda teria o privilégio de beber a última Coca da ilha.

Estava feliz da vida quando a distribuidora de bebidas de perto de casa começou a vender Coca Light de garrafinha – pois todo mundo sabe que a melhor Coca é a de garrafa, especialmente a garrafa com escrita em branco (mas aqui não tem dessa, e eu já fico feliz por ter Coca Light e não Diet, aquele xarope que ainda é vendido em terras britânicas).

Eu sei, eu sei, Coca de garrafa é mais cara, pelo preço de duas garrafinhas você compra 1,5 L de bebida. Mas, ué, é mais gostoso. E é a única forma de eu me conter e tomar "só" uma garrafinha por dia. Porque se eu abrir uma garrafa, já era, eu bebo uma garrafa por dia (e não, a cafeína não me faz efeito).

Então, voltando às garrafinhas… Eu e Vinny fomos buscar, voltamos carregados, lutei para encontrar espaço em uma geladeira que vive entopetada e deixei algumas gelando. Quando abro, gosto de Coca Diet!

A Coca Light estava vencida. E, quem diria, Coca Diet é Coca Light velha! (ok, vou dar um desconto, apenas o gosto "de entrada" é de Coca Diet, o fundo é algo ainda pior).

Mas, não sei como, consegui sobreviver a três dias sem Coca. Foi difícil, tremores incontroláveis, uma sede absurda e a sensação de que algo faltava. No 4° dia comprei algumas latinhas e deixei uma no congelador enquanto preparava o almoço. Mas as remanescentes de garrafa ainda estavam lá (pois a cada dia eu abria uma, na esperança de que estivesse normal, com dó de jogar tudo fora direto). E uma estava boa! (ou quase). Com o mesmo vencimento das outras.

Tomei aquela Coca Light de garrafa, o dia passou, controlei-me para não tomar mais nenhuma (acho que é assim também com café, alguém pode me dizer?) e tudo seria apenas lembrado quando eu passasse em frente à distribuidora de bebidas.

De madrugada, quase dormindo, um estouro nos faz dar um pulo na cama. Sim, a latinha sobressalente… esqueci-a no congelador e tive de limpar a geladeira às 3 da manhã!!!

Depois dessa, eu deveria até parar de tomar Coca. Mas aqui não tem Guaraná, então eu realmente espero que o complô da Coca contra mim acabe agora.