Depois do Vinny ter visto na net uma relação enorme de palavras que só tem no Paraná, e muitas especificamente só em Curitiba, não conseguimos para de rir com a quantidade de falas engraçadas a que fomos habituados desde a infância.
Ainda me lembro de, na escola, ter aprendido que para o resto do país vina é salsicha, penal é estojo (de caneta, lápis…), guria/guria (estes em todo o Sul) é menino/menina. Pensando bem, à primeira vista é difícil diferenciar "fazer um cachorro" (um chuncho, uma tramóia) de preparar um cachorro-quente com duas vinas. Mas o diálogo abaixo é bem inteligível, vocês não acham?
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-O que você está se abrindo aí ?
-A mãe me deu dinheiro para comprar vina, vou na venda depois que puxar minha raia.
-Capaz! Você está demorando muito, eu vou pegar o busum para ir no mercado, só vou trocar meu shorts que não orna com essa blusa e pôr um rabicó.
-Peraí bocó, na venda dá para ir de a pé, eu vou andandinho e volto logo.
-Tá, mas nada de fazer chuncho com o troco, hein?
-Der, sua tonga. A mãe deixou eu comprar um dolé.
-Você é um caipora mesmo.
15 minutos depois…
-Ué, cadê a vina? Quero fazer um cachorro-quente do tipo!
-Não tinha. Nada, nadinha. Necas de pitibiribas.
-Capaz mesmo!
-É sério! Volta e meia não tem vina lá.
-Putz, então eu trago quando voltar da cidade.
-Tá… e você vai na balada hoje?
-Tipo assim… acho que vou. Vai ser no vascão.
-Jure!
-É, eu fiquei de cara quando o polaco me contou. Então vou aproveitar.
-Mas aquele cara é muito alugado, e ele vive cozido! (ic) Não vai com ele não (ic).
-Tipo, não dá nada, se ele ficar se ensebando eu não vou, mas as gurias também vão, então ninguém fica de vela…
-Que palha, você só não quer é ficar em casa de varde, né? (ic)
-Nossa, essa você tirou do tempo do êpa, hein? E vou ter que te dar um susto para acabar com a sua jojoca?
-Vou tomar uma gasosa (ic) para ver se passa.
…
-Então, bebeu?
-Não, não tem nada nessa poióca aqui (ic), só aipim.
-Catzo, já falei que tô indo para a cidade e passo no mercado na volta. Enquanto isso pega 2 pila aqui e vai lá comprar sua gasosa.
-Ufa, passou. Eu vou é parar na banquinha, na cara dura. A gente se vê depois no fervo, e vê se não toma um goró, hein?
-Tá bom, seu lóque. Tchau.
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Nos anos 80, com o início da invasão do inglês, alguém provavelmente viu um símbolo hang loose com a palavra look e começou a chamar quem fizesse ou falasse uma besteira de lóque. E a coisa pegou. Foi provavelmente a mesma pessoa que inventou o termo busum para ônibus – e a sua versão mini-ônibus, o Circular Centro, buzunzinho. Deve ter sido um piá muito lóque. Pior que é mesmo.
estar, ficar se abrindo: estar animado
"a mãe", "o pai": como os curitibanos se referem à própria mãe ou ao próprio pai. Nada de possessivo.
vina: salsicha
raia: pipa, papagaio
Capaz!, capaz mesmo!: expressão de incredulidade
busum: ônibus
shorts (sempre falado no plural): peça de roupa
ornar: combinar
rabicó: prendedor de cabelo
bocó: bobo, tolo
venda: mercearia
fazer um chuncho, um cachorro: desonestidade, engodo
tonga, tongo: bocó
dolé: picolé
caipora: caipira, jacú (usado constantemente em « jacú do mato »)
ir para a cidade: ir para o bairro Centro
no vascão: na faixa, de graça
Jure!: expressão de incredulidade, distinta do ato de prestar um juramento
polaco: polonês (a título de curiosidade, catarina: catarinense)
alugado: pessoa que “se acha”, metido, boçal
cozido: bêbado
se ensebar: se enrolar, se atrasar, demorar
ficar de vela: ficar entre um casal, « segurando vela »
palha: ruim, chato
ficar de varde: ficar à toa, desocupado
do tempo do êpa: antigamente
jojoca: soluço
gasosa: tipo de refrigerante
poióca: bagunça
aipim: mandioca
catzo: palavrão tomado em decorrência da influência italiana. Literalmente é uma das designações do membro viril, mas funciona como shit ou fuck no inglês.
pila: unidade monetária (1 pila, 2 pilas, 3 pilas…)
banquinha: banca de jornal
na cara dura: cara de pau, sem vergonha
fervo: agito
goró: bebida alcólica
lóque: idiota, babaca