Damn. Por muito pouco, menos de um mês, eu falhei.
Eu e Vinny temos um acordo: nada de presentes-surpresa. Não dá, simplesmente não conseguimos segurar a ansiedade de contar ou dar logo de uma vez um presente que foi tão procurado, tão carinhosamente estudado. E também porque eu sou muito curiosa para esse tipo de coisa, do tipo que tem comichão se não sabe o que vai ganhar. Quanto à vida alheia estou pouco me incomodando, mas não esconda meu presente! Ah, isso não!
Ainda pequena desenvolvi uma técnica admirável de abrir delicadamente os pacotes de presente escondidos e reembalá-los para que ninguém descobrisse. E, na hora em que ganhava, fazia aquela cara digna de Oscar. E foram tantos os presentes "surpresa" que eu ganhei que as pessoas até hoje não têm a menor idéia de que eu já sabia do que se tratava.
Sem graça? Pode ser. Mas a emoção de descobrir um presente e « trabalhá-lo » até descobrir seu conteúdo é indescritível. Mais do que isso, no meu caso é uma questão de sanidade mental.
E para os presentes que eu quero dar sou assim também. Fico maluca para ver a cara da pessoa. Foi assim com a saga para comprar no Mercado Livre a Magali n° 1, motivo de um trauma de infância do Vinny (minha sogra desnaturada simplesmente deu para catadores de papel a coleção dele do n° 1 ao n° 250). Eu já havia pensado no que dar como presente de aniversário no final de março, porque ao contrário do final de ano, eu adoro aniversário. É o dia só da pessoa (e de todo mundo mais que nasceu naquele dia, mas convenhamos, as chances de você conhecer alguém que faz aniversário no mesmo dia que você não são muito grandes), onde ela deve ser mimada e ter tudo o que quiser.
Pois bem, não tinha nada muito criativo em mente (perfume, sócio-Hattrick, edições fac-simile da Agatha Christie, coletânea do Bach), até dar de cara com algo que eu já não esperava mais encontrar: a caixa n° 1 de dvd’s do Chico Buarque. Meus olhos brilharam, minha mão trêmula dirigiu o mouse até o carrinho de compras da Saraiva e finalizei o pedido.
Tanta emoção se explica: quando a tal caixa foi lançada a gente não tinha grana para comprar, o tempo foi passando e a gente continuo sem grana, até que ela esgotou. O Ramon ainda tentou e, em um dos aniversários do Vinny, presentou-lhe com a caixa n° 2, porque também não havia encontrado a primeira.
E não é apenas mais um box para nossa coleção. Trata-se do Chico Buarque. E do Vinicius. Isso merecia a quebra do nosso acordo. Não podia, não devia, mas estava disposta a isso só para ver a felicidade dele em seu aniversário. E eu aguentei de boca fechada por um mês. Até saber que a dona Vilma ainda não despachou a caixa que vêm com alguns de nossos livros e as encomendas e falar : -Ai, tomara que chegue a tempo do seu aniversário !
Pronto. O mundo ruiu. Todo o meu esforço para guardar aquela surpresa se esvaiu. Ainda resisti bravamente por alguns minutos, sabia que seria uma boa luta, mas essa eu não iria levar. Ele ficou feliz com o presente (que ainda nem ganhou), disse que eu não devia quebrar o acordo, e que tem uma surpresa "em haver" comigo. Mas a emoção dele receber a caixa do Chico de surpresa, essa eu não ganho mais. Vou começar a preparar o aniversário de 2009.

















