Há diferentes etapas de adaptação a serem vivenciadas pelos expatriados. Uma teoria (sorry, fonte perdida) afirma que o processo se desenrola na forma de um U: ao chegar em um novo país, as altas expectativas e o deslumbramento ante o diferente deixam a pessoa animada e cheia de energia – o início do U, fase que costuma durar cerca de 2 semanas.
Na seqüência, com a acentuação das diferenças e as saudades do que é familiar (e dos familiares), inicia-se a longa descidaaos infernos ao fundo do U, quando muitos sentem-se desanimados e mesmo deprimidos; é quando a necessidade de se entender claramente as pessoas atinge em cheio e, mesmo quando se é fluente, ou se pensava ser, a frustração diante de diferentes sotaques é inevitável.
A comida já não é tão agradável (acho que nunca mais suportarei comer Emmenthal – dieta básica para os duros na França, pão com queijo), o preconceito em muitos países é revoltante (além, claro, de que se você é brasileira inevitavelmente vai escutar uma piada de mau gosto ou uma cantada barata, pois a idéia de que toda brasileira é fácil é mais difundida do que se imagina).
As diferenças são tantas e tão gritantes, e isso não é válido apenas para quem sai do Brasil e vai para o Irã ou para o Zimbabwe. Desde o comportamento das pessoas até sinalização de trânsito, passando pela higiene (ou falta dela) das cidades, há motivos de sobra para se reclamar. Alguns pré-conceitos se mostram verdadeiros, como muitos franceses serem fedidos e tomarem banho de perfume para disfarçar; outros absolutamente falsos, como o de que os alemães são grosseiros e frios.
A descida ao fundo do U pode durar 3, 4 meses. Então a aceitação das diferenças, a melhora na inserção e o estabelecimento de laços de amizade dão à arrancada até o final do U, quando a euforia inicial é substituída pelo gratificante senso de integração.
Claro, isso é só uma teoria geral. Eu sou a viva prova de que não é universal, pois a fase da euforia em Paris durou, para mim, exatamente um dia. E a queda do U sete meses, até a saída de lá. Já Berlin, tirando alguns momentos de frustração lingüística (graças àquela professora chatérrima, que só de lembrar provoca espasmos), foi apenas o arranque final do U. Coroado, magnificamente, com a dica da querida Angie: Milkana cremig e Schmelzkäse.
Na seqüência, com a acentuação das diferenças e as saudades do que é familiar (e dos familiares), inicia-se a longa descida
A comida já não é tão agradável (acho que nunca mais suportarei comer Emmenthal – dieta básica para os duros na França, pão com queijo), o preconceito em muitos países é revoltante (além, claro, de que se você é brasileira inevitavelmente vai escutar uma piada de mau gosto ou uma cantada barata, pois a idéia de que toda brasileira é fácil é mais difundida do que se imagina).
As diferenças são tantas e tão gritantes, e isso não é válido apenas para quem sai do Brasil e vai para o Irã ou para o Zimbabwe. Desde o comportamento das pessoas até sinalização de trânsito, passando pela higiene (ou falta dela) das cidades, há motivos de sobra para se reclamar. Alguns pré-conceitos se mostram verdadeiros, como muitos franceses serem fedidos e tomarem banho de perfume para disfarçar; outros absolutamente falsos, como o de que os alemães são grosseiros e frios.
A descida ao fundo do U pode durar 3, 4 meses. Então a aceitação das diferenças, a melhora na inserção e o estabelecimento de laços de amizade dão à arrancada até o final do U, quando a euforia inicial é substituída pelo gratificante senso de integração.
Claro, isso é só uma teoria geral. Eu sou a viva prova de que não é universal, pois a fase da euforia em Paris durou, para mim, exatamente um dia. E a queda do U sete meses, até a saída de lá. Já Berlin, tirando alguns momentos de frustração lingüística (graças àquela professora chatérrima, que só de lembrar provoca espasmos), foi apenas o arranque final do U. Coroado, magnificamente, com a dica da querida Angie: Milkana cremig e Schmelzkäse.

Sim, ladies and gentlemen, existe um pseudo-requeijão na Alemanha. Agora eu não preciso de mais nada.




7 .000 disseram alguma coisa:
oi silvinha! agradeço a visita e incentivo a sua ida até rouen - a cidade (parte histórica) é realmente uma graça! adorei este post... mt vezes a ilusão do diferente pode ser um transtorno, né? bjs e volte sempre!
Silvinha, gostei tanto do seu texto! Não sou expatriada e nunca morei fora, mas posso contar um pouquinho da minha experiência de férias no ano passado - acho que já te contei, mas enfim... Como diriam os Smiths, "stop me if you think you've heard this one before". :) Sonhei a vida toda em conhecer Paris e foi uma boa decepção... A cidade é linda, mas o povo é um horror. Além de fedidos - sim, fedidos, eu sentia ânsia de vômito dentro do metrô - são grosseiros e se acham grandes coisas. Bando de ignorantes. No segundo dia, eu queria ir embora. Já em Berlim, eu me encontrei. Não queria mais voltar. O povo é amável, achei a cidade limpa e acolhedora. Uma pena termos ficado um tempão em Paris e pouquíssimo tempo em Berlim - se eu soubesse de antemão como seria, teria invertido a programação. :)
Fico feliz por saber que você está bem aí, pois apesar de não nos conhecermos pessoalmente, gosto de ti!
xx
Hehehe - você encontrou o 'requeijao alemao', vivaaaa!!! :o)
Beijos, e muito bom seu post: concordo totalmente com o U! Ser expatriado nao é mole! :o)))
Pseudo-requeijão, deve ser bom, rs...
Dificil levantar minha opinião a respeito da teoria. Quem sabe qdo eu for pra Florença, dai te conto,rs...
Mas eu nunca imaginei que a primeira fase do U em Paris poderia durar só um dia para qualquer pessoa o.O Interessante...
Bjus e td de bom!
e a Nutella??? aí é baratinho...
Quanto a morar fora, vc está (ou a pessoa da teoria) está absolutamente correta.
Eu tive Heimweh para os alemães e Homesickness para os americanos. Os que falam português se vangloriam da palavra saudades, mas acho que vc sentir falta de casa ao ponto de doer, ao ponto de vc sentir FEBRE, como aconteceu comigo, é bem vai dordecasa do que saudades mesmo.
E eu que tenho cabelos escuros, imagina o que não ouvi de piada. No começo eu era com os dos pés atrás, quando notei que não passaria, deitei na fama com um pintor aí na Alemanha. Pintor de casa e não de renome, é claro!
beijaaaa
Ai que bom que vc gostou do "pseudo" requeijão!! :)
Beijocas!
Me conta aonde vc encontrou??!!!
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