quarta-feira, 7 de maio de 2008

Loucos não são normais

Algo que para mim parecia claro, aparentemente não é. Loucos são normais por aqui, tanto no sentido de serem vistos o tempo todo, quanto ao fato de serem encarados tão corriqueiramente. Segundo o Vinny, quando você está no metrô (porque sempre tem algum doido no metrô) não deve fazer contato visual, senão já era. Claro que, quando eu percebo que se trata de um pirado na batatinha, já é tarde.

Embora eu seja o que clinicamente é chamado de ímã-de-loucos, ainda assim eu não consigo deixar de me surpreender quando, ao fazer compras no supermercado, um louco ficar me seguindo – doido que fala sozinho, desconexamente (isso é importante notar, pois falar sozinha eu também falo), com crazy-eyes. Pois é, de novo (eu não disse que sou um ímã ?!).

Lá estava eu quietinha separando os ovos – os ovos aqui vêm misturados, 4 ou 5 marrons para 1 ou 2 brancos, e como eu acho o branco mais bonitinho eu troco até fazer uma caixinha de uma cor só –, quando um cara quis passar, eu disse Oh, Entschuldigung (desculpa), e saí da frente. Ele deu a volta na estante ao lado, cheia de vinhos, me olhando, e voltou para onde eu estava, para passar mais uma vez na minha frente. Eu terminei de colocar os ovos em ordem e continuei as compras.

E a sensação de estar sendo seguida não passava. Olhei discretamente para trás e lá estava o doido, falando sozinho e me olhando. E aonde eu ía, o doido ía atrás. Comecei a quase correr com o carrinho, e o doido no meu encalço. Já estava pensando em sair pelo estacionamento do mercado para tentar distrair o sujeito, ponderando se não seria mais arriscado pois, apesar de óbvia, a saída principal dá para uma rua movimentada.

Paro no caixa e o louco corre para ficar atrás de mim. Neste momento torço para que não seja daqueles loucos que acham bonito ver o liquidozinho vermelho de dentro de você, ou daqueles que trancam a filha no porão por 24 anos. Passo os produtos, dou o cartão de fidelidade, o cartão do banco, assino. Tudo sob o olhar atento (e palavras ininteligíveis) do maluco.

Arrumo as coisas no meu carrinho enquanto observo, com alívio, o cara me olhar profundamente e sair pelo outro lado. A caixa e a cliente seguinte riam. Ao menos não fui a única a perceber, vai que o cara passou a me seguir porque me viu separando os ovos e me achou louca?

Não vou me perguntar por que sempre acontece comigo, mas quando é que começamos a estender o sentido de "normalidade"? A ignorar elementos que fogem da regra ou, progressivamente, deixar de enxergar?

Só sei que estou precisando repor meu aparelho de choque. Just in case.

4 .000 disseram alguma coisa:

Rob Gordon disse...

Apesar da pouca frequencia de comentarios (falta de tempo é uma desgraça), gosto cada vez mais desse lado aqui do espelho.

:-)

Unlucky disse...

SIM! Loucos são "very crazy" o/

Além de ser imã-de-loucos como vc disse, eu ainda faço amizade com eles. Ao menos, a possibilidade deles me matar diminui conforme aumenta a confia nele em você =)

Freud explica.

ashuahsusas

adoro ler suas (des)aventuras!

bjo!

Natália disse...

Poxa, isso é no mínimo algo engraçado, dependendo do grau da loucura do elemento, pode se tornar perigoso... rs

Mas a loucura é bem relativa mesmo... E depende mto da cultura do lugar e talz....

Bjus!!! e tudo de bom!!!

Banana disse...

hahahaha bem vinda ao clube !