segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Faz tempo...

Ok, faz tempo, muito tempo que não escrevo neste espaço... Entre diversas obrigações com tese, casa nova, vida nova, escrever sobre a barbárie dos franceses não veio a calhar, especialmente respirando o ar berlinense. Sim, já se passaram 8 meses, e eu ainda amo isso aqui !

Mas como felicidade não dura para sempre, minha maratona de seminários recomeçou (maratona pode ser exagero, afinal, tenho de ir a cada 15 dias para
Merdeville, mas ponte aérea Paris-Berlin, com todo o controle de segurança, cansa qualquer um) e, para variar, quando se trata daquela cidade... O primeiro seminário do ano letivo caiu justo no momento da greve dos transportes públicos.

Eu sou acostumada a andar, por muito pouco tempo tive a alegria de poder contar com um carro quando quisesse... E então eu andei. Andei como nunca. Meu joelho estropiado (ah, os longínquos anos em que eu era uma menina esportista) e meu calcanhar ralado por uma bota nova que deveria ser confortável (mas, como diz a avó do Vinny, salto é que cansa) o atestam. Simplesmente não havia táxis. Tive de me atirar na frente dos que eu conseguia para suplicar por uma corrida (que eu pagaria, claaaaaaro). Um infeliz que demorou meia hora para atender ao pedido do hotel, para me levar de Opéra aos Invalides, simplesmente chegou com o tax
ímetro em €7,50. E, claro, depois de dois dias agüentando um povo grosso, aquele empurra-empurra no metrô - quando tinha ! -, minha paciência já tinha ido para o espaço, eu lasquei : Mas porquê você começou a corrida com 7,50 ??? -Porque você tem de pagar para eu sair da onde estava e te pegar ué, se não quer pega um táxi na rua !

Então tá né... Me obriguei a deixar por isso mesmo, porque já sabia que seria dif
ícil conseguir um. Ainda mais mancando. Afinal, como já dizia Brás Cubas, ela era linda, mas era coxa...

Resumo: mal consegui trabalhar, pois a Biblioteca Nacional não estava fornecendo os livros reservados no dia por causa da greve; não tive seminário por causa da greve (me larguei até Villetaneuse como a pessoa responsável que sou); quase vomitei com o fedor dos metrôs lotados (nos quais até os fedidões tampavam os narizes); e gastei os tubos, afinal, estava na Cidade Luz !

A única coisa que se salvou foi o Bon Panetton.

E, em breve, a aventura continua. Autch.