sexta-feira, 9 de março de 2007

Esses franceses são loucos - parte XIV

Os estrangeiros em Paris


Imagino que possa ser incômodo para os parisienses de nascença não poderem aproveitar tudo na "Cidade Luz" (trevas profundas para mim; mas, hei, eu estou apenas de passagem) com a invasão de turistas. Mas, a esta altura, pergunto-me quantos são os parisienses "de nascença" que moram nesta cidade... Os ricos, certamente, mas estes podem se dar ao luxo de escapar nas férias. Além do mais, certamente sem o dinheiro aqui injetado pelos turistas não seriam mantidas tantas atrações...


Evidência incontestável da miscelânea parisiense é o sotaque confuso, no qual se mesclam diferentes acentos que traem a origem de seus emissores. Trabalhadores com uma carga semanal reduzida e vantagens que são inimagináveis pelos políticos brasileiros, por exemplo, caminham apressadamente - e furiosamente - entre turistas ao longo do ano inteiro.
Mas passar do incômodo à agressão é um grande passo, que deveria ser mais discreto considerando-se o enorme capital que gira aqui graças, justamente, aos turistas!

Depois de alguns meses observando, tendo a pensar que eles - os temíveis e mal-cheirosos parisienses - tem uma desatenção especialmente dirigida aos norte-americanos. Não sei se é efeito do necessário "salvamento" da 2a Guerra ou se mero desdém pela posição ocupada pelos EUA (afinal, não há nada maior do que a França), mas o o grau de grosseria realmente se acentua quando se trata de americanos.


Próximo alvo: asiáticos. E não somente turistas. Há pouco tempo fui surpreendida ao escutar uma professora (!!!) universitária exclamar (referindo-se a um aluno japonês - que merece crédito só por ter conseguido passar por toda a "burrocracia" francesa para conseguir entrar em uma universidade parisiense e aprender uma língua radicalmente diferente da sua, ao contrário do português): "A França tem essa atração sobre os estrangeiros, mas ela tem que manter seu nível !". Claro, ela não imaginou que a típica brasileira aqui fosse realmente uma aluna estrangeira por acaso próxima a ela no corredor. O pior é que não ouvi isso na Sorbonne, mas em uma universidade de banlieu, com uma rede de alunos diversificada que compreende negros, muçulmanos, alguns brancos e uns poucos asiáticos... e cartazes por todos os lados conclamando ao entendimento e ao respeito...


Não sei se esses franceses são mais loucos ou hipócritas...